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EFAF - TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA - PODRIDÃO CEREBRAL
TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA - EF ANOS FINAIS
BRAIN ROT
(PODRIDÃO CEREBRAL)
TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
ID: JQK
O TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA é aquele
que tem a finalidade de “popularizar a ciência”, ou seja, difundir, ao público
leigo/não especializado, descobertas feitas a partir de estudos científicos. No
que se refere à estrutura, o texto de divulgação científica é maleável. É
preciso focalizar, o quanto possível: o que foi descoberto; quem descobriu;
como; quando; onde; para quê – com ênfase não apenas no que foi descoberto,
como também na importância da descoberta e nos respectivos impactos sociais. O
texto é escrito em 3ª pessoa, com linguagem simples. Há título e subtítulo para
que, desde o início, seja definido o que se vai divulgar.
Leia a matéria abaixo, a partir da qual
você desenvolverá um texto de divulgação científica:
Embora possa parecer exagerado à primeira vista, o termo "cérebro
podre" ou "podridão cerebral", da expressão em inglês
"brain rot", pode ser mais literal do que pensamos. (...) Pesquisas
citadas pelo jornal britânico The Guardian indicam que o uso excessivo de
mídias sociais e o consumo compulsivo de conteúdo de baixa qualidade – como
notícias sensacionalistas, teorias da conspiração e entretenimento vazio –
podem literalmente encolher a massa cinzenta, diminuir a capacidade de atenção
e enfraquecer a memória. Uma combinação de efeitos que faz com que o termo "podridão"
não pareça exagerado.
Do e-mail à rolagem infinita: os primeiros
sinais de alarme soaram no início do século, com o e-mail. Como o jornal El
País noticiou recentemente, citando um artigo do Guardian de 2005, uma equipe
da Universidade de Londres, após 80 testes clínicos, descobriu que o uso diário
de e-mail e telefone celular causava uma queda média de 10 pontos no QI dos
participantes. De imaginar-se, então, o que acontece agora com a constante enxurrada
de tweets, stories, reels, notificações, pushes etc. Os aplicativos modernos
são projetados especificamente para nos manter viciados, aproveitando o que
Michoel Moshel, pesquisador da Universidade Macquarie, descreveu ao El País
como "a tendência natural do nosso cérebro de buscar novidades,
especialmente quando se trata de informações potencialmente prejudiciais ou
alarmantes, uma característica que já nos ajudou a sobreviver".
Mudanças cerebrais preocupantes: uma
meta-análise de 27 estudos de neuroimagem revelou que o uso excessivo de
internet está associado a uma redução no volume de massa cinzenta em regiões
críticas do cérebro responsáveis pelo processamento de recompensas, controle de
impulsos e tomada de decisões. De acordo com Moshel, essas alterações são
semelhantes às observadas em casos de dependência de substâncias como
metanfetaminas e álcool. Além do ambiente clínico, o "uso desordenado de
tela" tem sido estudado em ambientes educacionais. Uma meta-análise citada
em um artigo do The Conversation, do qual Moshel é um dos autores, lista 34
estudos que vinculam o uso compulsivo a um desempenho cognitivo
significativamente inferior, especialmente no que diz respeito a atenção
sustentada e controle de impulsos. O problema é particularmente grave entre os
jovens. De acordo com dados de 2021 da ONG americana Common Sense Media citados
no The Conversation, pré-adolescentes passam 5 horas e 33 minutos por dia em
frente às telas, enquanto esse tempo é de 8 horas e 39 minutos para
adolescentes.
Círculo vicioso da Era digital: Eduardo
Fernández Jiménez, psicólogo clínico do Hospital La Paz, em Madri, explicou ao
El País que o cérebro ativa diferentes redes neurais para gerenciar diferentes
tipos de atenção. O bombardeio constante de estímulos variáveis afeta
particularmente nossa capacidade de atenção sustentada, que é fundamental para
o aprendizado acadêmico. O problema é agravado por um círculo vicioso difícil
de romper: de acordo com um estudo publicado na revista Nature, pessoas com
saúde mental debilitada têm maior probabilidade de consumir conteúdo de baixa
qualidade, o que, por sua vez, piora seus sintomas. E quanto mais tempo se
passa em frente à tela, mais difícil é reconhecer e limitar o problema.
Existe uma solução? Especialistas
recomendam uma abordagem em duas frentes: qualidade e quantidade. É fundamental
estabelecer limites claros para o tempo de tela e fazer um esforço consciente
para se desligar. Atividades que exigem presença física, como esportes ou
reuniões com amigos, são essenciais para neutralizar os efeitos negativos do
uso prolongado da tela, recomendou o psicólogo Carlos Losada em dezembro ao El
País. Também é importante dar prioridade a conteúdos educativos que evitem
características viciantes e estabelecer intervalos regulares. Porque, como
sugere a pesquisa, o "cérebro podre" pode ser mais do que uma
metáfora, mas um processo real de deterioração cognitiva causada por nossos
hábitos digitais. (...) A ironia é que essa "podridão cerebral" pode
estar alterando a forma como percebemos e respondemos ao mundo justamente
quando mais precisamos de nossas capacidades cognitivas. Talvez seja hora de
lembrar que existe um mundo além da tela, um mundo que nossos cérebros foram
realmente projetados para explorar.
WANG, Felipe Espinosa. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/01/25/estudos-indicam-reducao-de-massa-cerebral-por-uso-excessivo-de-tela.ghtml.
Acesso em 29.jan.2025. Com ajustes.
PROPOSTA DE REDAÇÃO: Você deverá extrair dos textos acima
informações suficientes para escrever um TEXTO
DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA, destinado a leitores adolescentes, sobre o tema: Brain rot – círculo vicioso da Era digital.
Não se esqueça: o texto de divulgação científica deve ter vocabulário
acessível, uma vez que é o canal para a “popularização da ciência”.